08 maio 2008

Dilma rebate saudosos da ditadura e pede respeito aos valores democráticos

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em sua fala na Comissão de Infra-estrutura do Senado, nesta quarta-feira (7), reagiu com veemência a uma afirmação de baixo nível do líder do DEM (ex-PFL) na casa, Agripino Maia (RN).

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No início dos trabalhos, Agripino Maia – que apoiou a Ditadura Militar – lembrou que nos anos 70 a ministra, então militante de um grupo que combatia o regime, mentiu ao ser torturada pelos órgãos de repressão. Ele insinuou que ela estaria fazendo o mesmo agora, em relação ao suposto dossiê com informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dilma rebateu a provocação e lembrou que na Ditadura era preciso mentir para salvar a vida de companheiros e que, num regime de exceção, não há espaço para a verdade, ao contrário do que ocorre na democracia.

"O que acontece ao longo do anos 70 é a impossibilidade de se dizer a verdade em qualquer circunstância. No pau de arara, com o choque elétrico e a morte, não há diálogo", disse. E prosseguiu: "Eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador", enfatizou.

A ministra disse ainda que “qualquer comparação entre ditadura e democracia só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira”. Na época da prisão, ela tinha 19 anos. Passou três anos presa. Ela destacou a diferença entre as duas épocas.

"O regime que permite que eu fale com os senhores não tem a menor similaridade com a ditadura. Nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais. Não estamos no diálogo entre o pescoço e a forca, senador. Por isso acredito e respeito esse momento. Isso é algo que é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil", afirmou.

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