30 outubro 2008

Executiva Estadual do PT Bahia divulga nota sobre as eleições 2008

ÍNTEGRA

Uma vitória do PT, do governo Lula, do governo Wagner e das suas respectivas bases aliadas

Coerente com seus princípios e sua história de lutas em prol dos trabalhadores, o PT manteve, nessas eleições de 2008, sua trajetória de crescimento histórico sustentável e qualitativo, sem inchaços vertiginosos que, quando verificados em outras agremiações políticas e em momentos eleitorais específicos, normalmente, vêm acompanhados de perda de valores e princípios importantes e rebaixamentos programáticos substanciais. A principal e mais grave conseqüência de tais fenômenos, meramente eleitorais, é a perda da identidade historicamente construída.

Para além da concretude numérica, obtivemos uma vitória subjetiva fundamental: a conformação de um ambiente político-eleitoral verdadeiramente democrático e republicano. Na verdade, devemos todos continuar trabalhando para que tal vitória se transforme numa conquista histórica da sociedade brasileira, sem retrocessos. Num novo paradigma de cultura política, longe dos maniqueísmos e das diversas formas de manifestação do autoritarismo vigentes há bem pouco tempo na Bahia e no Brasil.

A principal conseqüência desses novos ares políticos que respiramos na Bahia e no Brasil foi o fenômeno do grande índice de reeleição dos atuais prefeitos, independentemente dos seus partidos. O governo federal e estadual repassou recursos para todos, não discriminou como anteriormente era sistematicamente feito. Quem conseguiu exibir com mais nitidez a boa aplicação dos recursos, para o eleitorado, agora muito mais exigente, evidentemente, ganhou a eleição.

Outra realidade importante foi o crescimento eqüitativo e proporcional de todos os partidos da base aliada dos governos federal e estadual. Ao fim e ao termo todos cresceram. Isto é uma demonstração inequívoca, tanto do acerto do projeto que todos os partidos da base abraçaram, quanto do clima verdadeiramente parceiro que tem pautado as relações partidárias dentro dos governos Lula e Wagner. Nesse particular, o fundamental a ser ressaltado é que muitas das viúvas do autoritarismo buscaram constituir uma confusão na sociedade, com o claro propósito de auferir dividendos eleitorais, através da prática de difusão do medo, ao confundirem, propositalmente, a tese do alinhamento programático com a tese do partido único. Felizmente, sem grandes repercussões, pois, essa última, já não encontra base concreta e acúmulo de pensamento subjetivo para frutificar no nosso país.

Aos números: a base municipal do governo Lula cresceu fortemente e vai governar 72% do eleitorado brasileiro, incluindo 20 das 26 capitais. A base do governador Jaques Wagner elegeu cerca de 70% das prefeituras do estado.

O PT, particularmente, apresenta um quadro positivo ao elegermos um total de 69 prefeituras, registrando um crescimento de quase 300% em relação a 2004 - quando ganhamos 19 prefeituras. Elegemos também um total de 45 vice-prefeitos/ as e 357 vereadores/as em todas as regiões do estado. Proporcionalmente ao número de municípios, o PT da Bahia foi quem mais cresceu em todo o Brasil, superando estados importantes como Minas Gerais e São Paulo, tidos como centros estratégicos do PT nacional.

O DEM (ex-PFL), que capitania a oposição ao governo Lula e ao governo do estado, elegeu menos de um terço do total da bancada que fez em 2004, no estado. Caiu de 153 para 44 prefeituras, repetindo o baixo desempenho do partido no cenário nacional, onde fechou com um crescimento negativo de - 9,4% do percentual de votos válidos obtidos em todo o país, contados desde 2000.

Porém, o nosso crescimento não deve ofuscar a necessidade de nos debruçarmos, com profundidade, também sobre as dificuldades que enfrentamos. Apesar do avanço da esquerda em locais importantes como Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Camaçari, Porto Seguro, Juazeiro e Ilhéus, não saímos vitoriosos em municípios estratégicos, a exemplo de Itabuna, Jequié, Paulo Afonso e Feira de Santana. Talvez tenha nos faltado mais tempo e disciplina para encetarmos os diálogos necessários para a costura de alianças mais consistentes nesses e em outros municípios em que não logramos êxito eleitoral, apesar da garra da militância e dos candidatos e candidatas que lutaram até o último minuto para buscar o caminho da vitória. O fundamental agora é avaliar os resultados e tirar lições dos nossos erros.

Em Salvador, onde a disputa se deu dentro da base do nosso governo estadual, também se verifica um crescimento da votação da Esquerda em relação tanto ao primeiro turno, quanto ao segundo turno da eleição de 2004. Outro dado importante, na capital, é que, em 2004, a Esquerda e o Centro tiveram 75% dos votos do segundo turno, e agora, em 2008, a Direita e o Centro tiveram apenas 58% desses votos.

Ainda em relação à Salvador, onde o DEM (ex-PFL), ficou pela primeira vez fora de um segundo turno, assumindo à condição de força auxiliar, em apoio ao nosso adversário, com o claro propósito estratégico de recompor o projeto da direita no nosso estado e derrotar o nosso projeto já em 2010, fomos mais afetados pelos acertos das políticas públicas dos nossos governos federal e estadual, de tratar a todos de forma igual, democrática e republicana, do que pelos nossos erros, que, evidentemente, também serão merecedores de estudos.

Encerradas as eleições, é hora de concentrarmos nossos esforços na agenda política do país: no enfrentamento da crise financeira mundial, nas votações no parlamento, nas lutas populares, na coesão de nossa base partidária.

O PT sai vitorioso dessa disputa, sabendo que "se muito vale o já feito, mais vale o que será... e o que foi feito é preciso conhecer, para melhor prosseguir".

Salvador, 29 de outubro de 2008.

Comissão Executiva Estadual

Partido dos Trabalhadores

Nenhum comentário: