27 novembro 2009

Grampo - Arruda instrui secretário a organizar pagamentos

















O governador José Roberto Arruda (DEM) foi flagrado na gravação realizada no encontro do dia 21 de outubro discutindo explicitamente sobre a "despesa mensal com político" com o chefe da Casa Civil do governo do Distro Federal, José Geraldo Maciel. Arruda instrui o secretário a unificar os pagamentos que teriam se desorganizado, aparentemente, com a saída de Domingos Lamoglia de sua chefia de gabinete.

Conforme os trechos transcritos no inquérito, Arruda participa ativamente da contabilidade, questionando e discutindo quem arrecadou, as empresas que pagaram propina e de que forma seriam distribuídos os recursos entre seus colaboradores.

A gravação foi realizada por escuta autorizada pelo STJ nas roupas do colaborador da PF, o secretário de Relações Institucionais e colaborador da Polícia Federal, Durval Barbosa Rodrigues.

- Aquela despesa mensal com político sua hoje está em quanto? - questiona Arruda.

José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil do governo do Distrito Federal, logo explica que esses pagamentos estão fragmentados e os políticos estão recebendo o pagamento por duas fontes.

- Tá aqui a listinha - diz Maciel.

- Ué, ele não tem que unificar? - pergunta Durval.

- Seiscentos é aquilo que sobra - responde Maciel.

- Mas unificou tudo? - pergunta Arruda. Diante da resposta de que não há um controle preciso do pagamento, se irrita e fala:

- Pois é, mas unificar é isso, não poder achar ninguém... é saber tudo! Nós temos que saber de um por um - diz Arruda.

- Tá - diz Maciel.

- Se ele não vai pegar com o Domingos (Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda), ele vai pegar com quem? - testa Arruda.

- O natural seria com o Fábio [Simão], né? - responde Maciel.

- Não Zé, porque você não coordena tudo isso! O problema é que tá em várias mãos - explica Arruda.

- Não, tudo bem! Tudo bem! - concorda Maciel.

- Porque eu acho o seguinte: você tem que conversar com o Fábio. Eu acho que tudo isso tem que ser o seguinte, tem que tá ligado a uma campanha política junto - conclui Arruda.

Em outra gravação, o governador José Roberto Arruda apareceria recebendo dinheiro. A gravação foi feita pelo colaborador da PF, o secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa Rodrigues, em seu gabinete, no dia 15 de outubro.

Arruda mostra certo desconforto em receber os recursos em mãos e o dinheiro acaba sendo colocado em um envelope e levado por seu motorista até seu carro. Na mesma conversa, Arruda também pede emprego para um filho e ajuda para contratação de empresas de amigos.

- Deixa eu pegar um negócio aqui antes que eu me esqueça - diz Durval, que se levanta do sofá e logo retorna com o dinheiro, que entrega ao governador. - Você lembra disso aqui?

- Ah! Ótimo. Você podia me dar uma cesta, um negócio aqui - responde Arruda. Durval se levanta e vai a té sua mesa enquanto o governador prossegue: - Eu tô achando que você podia passar lá em casa porque descer com isso aqui é ruim.

- Por quê? Não tem ... (trecho ininteligível) - diz Durval, que coloca o dinheiro dentre de um envelope pardo.

- Mas viu ô, ô, ô... você escolhe um lugar para ele que você acha que vai ajudar mesmo - diz Arruda, falando novamente do pedido de emprego para seu filho.

Alguns momentos depois, seu motorista, identificado como Rodrigo, entra na sala para repassar o telefonema de um governador e Arruda pede que ele leve o envelope pardo com o dinheiro para o carro.

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