24 janeiro 2010

Ministro Geddel em briga de 628 milhões, conforme escutas telefônicas da "Operação Expresso"


A TARDE teve acesso, através de três fontes diferentes, a processo de 1.030 páginas do Serviço de Inteligência da Secretaria da Segurança. Escutas telefônicas da Operação Expresso autorizadas pela Justiça apontam para uma briga, nos bastidores, entre empresários de ônibus e as construtoras Odebrecht e OAS pela execução e gestão do projeto de vias exclusivas para ônibus em Salvador. Os dois grupos disputaram a obra de autoria da prefeitura, orçada em R$ 628 milhões, antes mesmo de ser lançada a licitação.

As investigações registram diálogos de Carlos Eduardo Villares Barral, coordenador do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Salvador (Setps), com empresários e autoridades, como o ministro Geddel Vieira. Investigado na Operação por suspeita de envolvimento no esquema de propina na Agência Estadual de Regulação (Agerba), Barral foi flagrado em pelo menos 16 escutas telefônicas, articulando a disputa para ganhar o projeto.

Nas gravações, o advogado pede ajuda ao ministro Geddel Vieira Lima e ao radialista Mário Kertész, na disputa com a OAS e a Odebrecht. Dono da Rádio Metrópole, Kertész mantém relações com Barral desde que comprou do advogado o antigo Jornal da Bahia, em 1990. O contato com Geddel, seria uma tentativa de Barral buscar apoio político, de acordo com o inquérito policial.

Numa conversa telefônica gravada no dia 23 de outubro do ano passado, o ministro diz ao advogado Carlos Barral que já falou com o prefeito sobre o projeto das vias exclusivas, como havia prometido.

O diálogo entre os dois está transcrito nas páginas 47 e 48, no volume I do inquérito da Operação Expresso. Na mesma conversa, Geddel acrescenta que, apesar de já ter conversado com João Henrique, “não dá para confiar no que o prefeito diz”. O político do PMDB ainda orienta Barral a falar com o radialista Mário Kertész para “desdobrar o tema” e acrescenta que pode conversar com a construtora OAS para tentar “compatibilizar interesses”. Leia mais em A Tarde (para assinantes).

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