12 outubro 2012


Ophir critica manobra em que parentes se elegem no lugar de ficha-suja

São Paulo – O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou hoje (11) que a transferência de candidatura para familiares "como se fosse uma capitania hereditária" é uma tentativa de burlar a legislação eleitoral. O troca-troca de candidato por membros da família, às vésperas das eleições, foi criticado pela OAB. Segundo Ophir, essa atitude pode embasar a impugnação das candidaturas:  
Um grupo de candidatos a prefeito ameaçados pela Lei da Ficha Limpa usou uma brecha na legislação para chegar ao poder. Eles renunciaram às vésperas das eleições e colocaram como substitutos filho, filha, mulher, neto, irmão, irmã, pai, sobrinho e até uma cunhada.  
A estratégia da renúncia seguida de substituição, permitida pelas regras eleitorais, foi adotada por 157 candidatos a prefeito com registros indeferidos pela Justiça. Desses, ao menos 68 escalaram familiares. O plano deu certo para 33 deles (48%), que venceram a disputa. Todos esses que renunciaram estavam tecnicamente barrados pela Justiça Eleitoral, mas poderiam disputar a eleição, caso recorressem. Nenhum, porém, arriscou levar o caso ao TSE ou ao Supremo Tribunal Federal.  
De acordo com Ophir Cavalcante, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a transferência de candidatura para familiares "como se fosse uma capitania hereditária" é uma tentativa de burlar a legislação eleitoral. Para ele, essa atitude pode embasar a impugnação das candidaturas.  
Essas trocas de candidato ocorreram na semana da eleição e, em alguns casos, não houve tempo nem para mudar os registros das urnas. Um exemplo desse ocorreu em Iepê, em São Paulo. Na véspera da eleição, o candidato local do PSC, que teve as contas de uma gestão anterior rejeitadas e por isso foi considerado ficha-suja pela Justiça Eleitoral, escalou sua mulher como substituta.  
Na urna, o clique do eleitor foi para Faiad Zakir, e os votos contados para "Rosa do Faiad", como a mulher do ficha suja foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral. Rosa diz que o marido atuará na administração. "Com certeza, mas não com cargos, porque isso é proibido."  
Faiad defende a substituição: "Não somos estelionatários eleitorais. Durante toda a campanha avisamos aos eleitores para votar em dona Rosa, caso eu não conseguisse o registro da candidatura". O caso de "Rosa do Faiad" é uma estratégia geral dos fichas-sujas pelo país.  
Exemplos: Daniel Queiroz, do PMDB de Beberibe (CE), renunciou e ajudou a eleger "Michele do Daniel"; Saulo Pinto, do PTB de Padre Paraíso (MG), saiu da disputa e deu lugar a "Neia do Saulo"; a exemplo de André Gallo, de Paraíso (SP), com "Sílvia do André Gallo". (A reportagem é da Folha de S. Paulo e foi feita pelo repórter Daniel Carvalho)

Nota do Blog

2 comentários:

Anônimo disse...

Pois bem Sra. Ministra Presidente do TSE, Carmen Lucia, e lamentavel que a Lei da Ficha Limpa, tenha tido uma brecha vergonhosa como teve. Moro em Paulinia no interior de Sao Paulo e o que se viu aqui e muito triste. Exatamente as 19 horas do dia 06 de outubro de 2012, o candidato ficha suja Edson Moura, PMDB 15, que ate um minuto atras jurava para a populacao que era o candidato de fato, isto esta provado por jornais, revistas e panfletos, renunciou e indicou seu filho Edson Moura Junior para a vaga. E uma aberracao, uma vergonha. Agora Sra. Ministra e preciso as redes sociais e a OAB atraves do seu Presidente se manifestarem contra este ato. O TSE e o STF atraves de seus ministros, nao enxergaram o golpe que estava por vir. Pelo amor de DEUS o povo esta cansado, de saco cheio de tanto golpe. Tomem uma atitude!!!!!!!!!!!!!!

Eudes Paiva disse...

Terrível. Nunca pensei que tal fraude seria possível nos tempos atuais. Sou suspeito em falar um pouco mais porque sofri golpe idêntico.