24 dezembro 2013

Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações dos que nos acompanham em nossa caminhada pela vida; nos faz refletir sobre o que estamos realizando, sobre o próximo e sobre nós mesmos!

Feliz Natal, Boas Festas e Próspero Ano Novo.





STF 470 - www.stf470.com.br

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Esse blog nasceu para ser um contraponto ao discurso hegemônico de parte da mídia sobre o caso da Ação Penal 470, popularmente conhecida como “mensalão”. Reunimos publicações, reportagens especiais e artigos que expõem o outro lado da história, sem o viés político que marcou a cobertura dos veículos tradicionais de comunicação.
O objetivo é reunir, num mesmo espaço virtual, uma coletânea de textos que ofereçam uma visão mais plural, permitindo assim que as pessoas possam comparar fatos, argumentos e versões, para que tirem suas próprias conclusões. Acesse www.stf470.com.br 

21 dezembro 2013

Miruna, a filha de Genoino, por Paulo Nogueira



Sugerido por Emiliammm
Da Carta Maior
O drama de Genoino tem extremos de caráter. De um lado, Joaquim Barbosa. A ele se contrapõe Miruna, que representa o que há de melhor no caráter humano.
Paulo Nogueira
Miruna. Poucas pessoas me impressionaram tanto, em 2013, quanto Miruna, a filha de Genoino.

As circunstâncias revelam a pessoa, sabemos todos. E no drama de seu pai, perseguido implacavelmente por Joaquim Barbosa e defendido tibiamente pelo PT, Miruna se mostrou um colosso.

Quem haveria de supor que por trás de uma jovem mulher tão doce e tão delicada estava uma leoa? Sua ira santa passará para a história como um testemunho do suplício ignominioso imposto a um homem que dedicou sua vida à luta por um país socialmente justo.O drama de Genoino tem extremos de caráter. De um lado, você tem Joaquim Barbosa, impiedoso, vingativo, um homem que parece se comprazer no sofrimento alheio.

Joaquim Barbosa é o antibrasileiro, a negação da índole generosa e cordial dos filhos do Brasil. É também, para lembrar um grande morto destes dias, o anti-Mandela. Joaquim Barbosa promove a discórdia, e Mandela personificou a concórdia. Barbosa é um deslumbrado, um alpinista social. Mandela conservou a simplicidade sempre, mesmo quando já era claro que fora um dos maiores homens de seu tempo.

A Joaquim Barbosa, no caso de Genoino, se contrapõe Miruna. Se ele é um exemplo negativo para os brasileiros, ela é o oposto. Miruna representa o que há de melhor no caráter humano: a paixão pela justiça, a perseverança na defesa de seus ideais, a devoção filial, a capacidade de se indignar diante de absurdos.

Num plano maior, o que estamos vendo nas ações de Joaquim Barbosa e de Miruna em torno de Genoino é o enfrentamento entre duas forças antagônicas.

Barbosa tem o poder. Miruna tem a verdade. Barbosa é o ódio. Miruna é o amor. Neste tipo de luta, o veredito costuma ser dado pelo tempo. Ainda que o poder prevaleça momentaneamente, a verdade se impõe com o correr dos longos dias.

Miruna é, também, uma lembrança doída da falta de combatividade do PT. É um embaraço para o partido que a voz que se ergueu valentemente contra a perseguição cruel a Genoino seja a de Miruna, e não a de seus líderes.

A prioridade um, dois e três do PT é a reeleição de Dilma, e com isso Genoino foi posto de lado. Talvez só seja efetivamente lembrado em caso de morte.

Miruna tem razão em dizer que sente vergonha do seu país. Os inimigos massacram seu pai. Os amigos se calam, ou emitem balbucios irrelevantes.

Numa perspectiva histórica, falta ao PT o que sobrou em Hugo Chávez e sobra em Cristina Kirchner: a coragem de quebrar muros e, com eles, resistências ao avanço social.

Chávez retirou a concessão de uma emissora que patrocinou uma tentativa de golpe contra ele. Kirchner não descansou enquanto não colocou de joelhos o grupo Clarín, obrigado enfim, depois de anos, a abrir mão de seu monopólio.

No Brasil do PT, a Globo segue impávida – recebeu 6 bilhões de reais em verbas publicitárias estatais nos últimos dez anos --  e com ela os três ou quatro grupos que controlam a mídia brasileira.

É nesse universo que Miruna combate seu combate – numa solidão desesperadora que a história registrará como um dos mais lindos momentos de um tempo sob tantos aspectos frustrante.


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15 dezembro 2013

A fama do Uruguai corre novamente o mundo


O presidente do Uruguai, José Mujica, definiu como "velho careta" o funcionário de uma agência antidrogas da Organização das Nações Unidas (ONU), que criticou a aprovação da lei que estatizará o cultivo e comércio de maconha no país. "É um velho careta e não falarei com ele em tom diplomático. Intelectualmente uma afirmação desse tipo merece esse qualificativo", disse Mujica à imprensa na noite desta sexta-feira (13), ao ser questionado sobre as críticas de Raymond Yans, chefe da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife). "Agora vêm falar em legalidade esses velhos reacionários que já não se apaixonam por garotas", acrescentou. As declarações foram reproduzidas pelos jornais argentinos "La Nación" e "Clarín". O líder também se queixou sobre o silêncio da ONU em relação aos Estados Unidos, onde alguns estados já liberaram o uso do entorpecente. Na quinta-feira (12), em entrevista à agência de notícias espanhola Efe, o agente da entidade comparou a decisão do governo uruguaio a um comportamento de "piratas". Para Yans, o país errou ao planejar a liberação da droga, já que é membro da chamada Convenção Única sobre Entorpecentes, que só permite a legalização para fins médicos e científicos. "O que o Uruguai fez foi uma visão própria de piratas. Esperamos que as altas autoridades entendam que isso é um erro, que esse não é o caminho correto para tratar de assuntos relacionados ao controle de drogas", disse.

Flávio Aguiar
Do Ártico à Antártida, da Califórnia à costa da China, dando a volta ao mundo por todos os seus lados, latitudes e longitudes, a fama do Uruguai cresce.

Agora, por conta da mais completa e total legalização do ciclo da popular maconha, a científica cannabis. Não só por causa do feito épico de 16 de julho de 1950... Mas mudemos de assunto, ou voltemos ao assunto principal.


O Uruguai é um país de muitas famas. Algumas geográficas: num continente de gigantes, é um país diminuto, sem montanhas, cuja costa é banhada por um único rio (o da Prata), que seus habitantes chamam de “mar”, e alguns quilômetros de oceano.


Outras negativas: o Uruguai teve fama de centro de lavagem de dinheiro (Mas que país não conta com suas lavanderias? E alguns outros países ou territórios parecem viver quase exclusivamente disto...). E não apenas recentemente. Isto vem dos tempos em que a burguesia brasileira, por exemplo, ao lado de outras, premida pela proibição do jogo, deixava os cassinos em Poços de Caldas, no Quitandinha, e alhures, ia gastar nas fichas das roletas et alii em Punta del Leste ou Carrasco.


Também houve fama sanguinária, das disputas entre Blancos e Colorados resolvidas algumas vezes no fio da faca no pescoço... Mas ora, lembremos dos também sanguinários conflitos entre Maragatos e Pica-Paus no Rio Grande do Sul, da triste série de degolas em Canudos...


Extermínio de índios, como na guerra contra os charruas, alguns dos quais foram se refugiar no Brasil (!), chegando a lutar na Revolução Farroupliha? Ora, quem são seus vizinhos para falar disto? Brasil, Argentina, Chile, até o Paraguai e a Bolívia... E quanto à Europa, nem é bom falar. Muito menos os Estados Unidos. E em escala mundial.


Ditadura sanguinária? Não só os países ao redor as conheceram também, como, convenhamos, as monarquias, repúblicas e ditaduras europeias e a democracia norte-americana não foram menos sanguinárias. E na África e no Oriente? Ásia?


Bom, mas há Uruguai das famas boas. Com latifúndio e tudo, possui historicamente um dos melhores rebanhos do mundo. Coisa de dar inveja a argentinos e brasileiros. Pouca gente conhece, mas o Uruguai é um produtor de grandes aguardentes. E vinhos Tannat, para dizer o mínimo.


País avançadíssimo, na atrasada fama sul-americana, no que toca aos direitos da cidadania, à educação pública, à saúde, e também no que toca à laicidade do Estados. Quem viveu, lembra dos tempos em que, por exemplo, os casais brasileiros que queriam legalizar sua situação, depois de separações, tinham dois caminhos tradicionais: casar na Embaixada do México, no Rio de Janeiro, ou... no Uruguai. Era até chique! Ou “chick”, como se escrevia na época.


Durante a cerimônia fúnebre em honra a Nelson Mandela, ouvi os discursos exaltando sua capacidade de emergir de 27 anos de cárcere sem ressentimento. Um monumento à dignidade humana. Mas que dizer do atual presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, emergindo de anos e anos numa solitária de três metros de diâmetro e não sei quantos de profundidade, sem uma frase de vingança, só de reconciliação e justiça? Tivemos a honra, nós da equipe Carta Maior, de fazer uma inesquecível entrevista com ele e sua esposa na sua chácara nas lindes de Montevidéu, quando ele foi eleito presidente do Senado, na posse de Tabaré Vásquez como presidente. Ele então nos confidenciou – naquela época em primeira mão – que aprendera a conversar com os insetos, com as formigas que, segundo ele, entre outras coisas, gritam. Só uma sensibilidade infinitamente superior à daquela que é dada ao comum dos mortais alcança isto.


Agora novamente o Uruguai espanta o mundo. É o primeiro país a legalizar completamente o ciclo da popular maconha, a cientíifca cannabis. Tudo: plantação, distribuição, venda e consumo. Mais: oh!, heresia das heresias, blasfêmia das blasfêmias! Na contramão das superstições da ortodoxia neoliberal, tudo fica sob o estrito controle, senão manejo, do Estado. Este, talvez, seja o maior desafio do repto que o Uruguai tem pela frente e coloca diante do mundo epustuflado pela ousadia. Garantir que o Estados não seja “fonte” de corrupção sistêmica, mas sim um saneador de um campo minado com o da circulação de drogas.


As estimativas falam que circulam no dimunuto Uruguai algo entre 30 e 40 milhões de dólares anualmente, nas veias do narcotráfico ligadas à produção ou importação (dos países vizinhos) de maconha. Dinheiro sujo a ser lavado, livre de impostos, controle, fonte de outras contravenções e crimes. Convenhamos: mutatis mutandis, o narcotráfico é a quintessência da prática neoliberal: livre do Estado, regras definidas inteiramente pela liberdade de mercado, sem impostos – bom talvez se possa compreender as inevitáveis propinas a autoridades policiais e outras como uma forma de impostos...


É contra tudo isto, além dos preconceitos generalizados em torno da criminalização e culpabilização dos usuários, que o Uruguai, Pepe Mujica e a Frente Ampla se levantam.


Tomara que dê certo.


Cumprimentos ao épico Uruguai.


Mas sem outro 16 de julho, por favor...


Publicado originalmente na agencia de noticias Carta Maior

Após 4 ordens de despejo, índios Guarani-Kaiowá anunciam "morte coletiva" em Japorã

Aliny Mary Dias
Aldeia Porto Rico. (Foto: Aty Guassu)
Apesar das quatro ordens da Justiça Federal de Naviraí, expedidas na quinta-feira (12), e que obrigam os cerca de 4 mil indígenas a desocuparem fazendas do Sul do Estado, os guarani-kaiowá afirmaram em carta que irão resistir e já anunciam morte coletiva.
O documento foi divulgado pelo Conselho Aty Guassu e expressa a indignação dos indígenas que vivem na região de Japorã, distante 487 quilômetros da Capital.
A terra denominada Yvy Katu é motivo de brigas judiciais há mais de 10 anos. Para os índios, as decisões favoráveis aos ruralistas significam que a “Justiça do Brasil está mandando matar todos nós índios”, afirma o texto.
Os índios afirmam que querem morrer juntos e que devem ser enterrados no mesmo local e a decisão é definitiva. “Solicitamos ainda à presidenta Dilma, à Justiça Federal que decretou a nossa expulsão e a morte coletiva para assumir a responsabilidade de amparar e ajudar as crianças, mulheres e idosos sobreviventes aqui no Yvy Katu que certamente vão ficar sem pai e sem mãe após a execução do despejo pela força policial”, expõe a carta.
Diante da afirmativa de que irão lutar e resistir ao envio de forças policiais que devem ser encaminhadas ao local para cumprir as ordens da Justiça, os guarani explicam que deram início a um ritual religioso raro que diz respeito a despedida da vida da terra.
Uma das lideranças da região, Estevão Freitas, 47, disse ao Campo Grande News que os rituais estão sendo praticados por todos os indígenas e que se resumem a rezas. “Estão todos preparados, nos cremos nisso e começamos a nos preparar para deixar a vida. Tudo isso por causa das armas de fogo dos brancos”, explica o líder.
O conselho encerra a carta dizendo que os índios não irão recuar e que preferem morrer no campo de batalha.